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Apresentação do romance “A Última Memória de um Banqueiro” de Eliana de Almeida Pinto.

Foi no dia 5 de maio que a casa que forma os juízes e os magistrados do Ministério Público de Portugal recebeu a Juíza Desembargadora e o seu romance de estreia, inspirado nos factos públicos do processo de Ricardo Salgado.
11 mai 2026, 17:03
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Apresentação do romance “A Última Memória de um Banqueiro” de Eliana de Almeida Pinto
Apresentação do romance “A Última Memória de um Banqueiro” de Eliana de Almeida Pinto

Foi no dia 5 de maio que a casa que forma os juízes e os magistrados do Ministério Público de Portugal recebeu a Juíza Desembargadora e o seu romance de estreia, inspirado nos factos públicos do processo de Ricardo Salgado. O ex-banqueiro foi acusado de se ter apropriado de mais de dez milhões de euros do Banco Espírito Santo, onde era diretor-executivo. O caso foi alvo de grande atenção mediática uma vez que Ricardo Salgado sofre de Alzheimer e não tem consciência da sua própria condenação.

Edgar Taborda Lopes, diretor do CEJ, felicitou o público do auditório: “É sempre com particular gosto saber que os juízes fazem mais coisas além de despachar processos. É a prova que os juízes são mais do que os processos.”

Dirigindo-se particularmente aos auditores de justiça, referiu que “há prazeres que os magistrados podem ter, nomeadamente na literatura, na escrita, porque nos ajuda a compreender as realidades. Os processos também são romances de alguma maneira.”

Fernando Duarte, diretor-adjunto do CEJ para os Tribunais Administrativos e Fiscais, dirigiu as suas primeiras palavras ao diretor, que “é um entusiasta da cultura em geral. Um juiz deve procurar cultivar-se e aprender em todas as dimensões da vida e isso ajuda no exercício da sua profissão.”  

Eliana de Almeida Pinto esclareceu que “tudo nasce da gestão de tempo. Um juiz é um cidadão como qualquer outro: tem problemas em casa, tem problemas com os filhos, tem vicissitudes iguais a todas as outras pessoas. Tem é um trabalho de responsabilidade significativa e essa responsabilidade perante a comunidade impõe que ele seja uma pessoa saudável. E uma pessoa saudável faz muitas coisas. O trabalho é uma dimensão relevante e se esse trabalho tem um peso significativo na comunidade, ele tem de ser exercido não só com maturidade, mas como um sentido grande de responsabilidade. Isso não significa que os juízes, por essa razão, trabalhem 18 horas por dia. Isso não é saudável, nem vai fazer de vós bons juízes. Um juiz deve interessar-se pela cultura, fazer desporto, deve conviver, deve viver. No fundo é isto, deve viver. E aí entra a gestão de tempo. Eu arranjei um método para lidar com a gestão de grandes volumes de trabalho. É não deixar para amanhã um despacho que eu acho que vai demorar muito tempo. E a mesma regra se aplica às sentenças.”

Em relação ao livro que publicou lembrou-se de quando começou: “estava a ver televisão e vejo o Ricardo Salgado entrar no tribunal. Aquela imagem marcou-me. Talvez a fragilidade com que se apresentou, sem prejuízo do que fez. Eu vi o Ricardo Salgado pessoa, não o Ricardo Salgado banqueiro. E dei comigo a divagar e a pensar, se ele estiver com Alzheimer é a maior condenação que ele podia ter tido. Muitas vezes como juízes não conseguimos ver para além da tecnicidade da decisão. Mas aquela fragilidade levou-me a pensar em escrever sobre isto, sobre a condição humana”.

No fim houve oportunidade de responder a perguntas e fazer reflexões com o público presente.